O Turbante Obrigatório

 
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As amarrações de cabeça foram obrigatórias durante o colonialismo em varias partes do mundo. Os carrascos donos de escravos e mercadores tinham muitas formas de erradicar o senso de cultura e identidade dessas muitas etnias que conduziram a diáspora forçada da Africa. Uma dessas formas era raspando os cabelos de todas as pessoas, e as obrigando a utilizar um pano enrolado na cabeça. O cabelo é uma forma de comunicação não-verbal, para muitas culturas africanas. A forma de usar o cabelo diz sobre a região e grupo étnico, e para padronizar, além de mesclarem as etnias para que não falassem as mesmas línguas por exemplo, padronizavam através da roupa e dessa amarração na cabeça. No começo essas amarrações de cabeça eram para ambos os sexos, mas depois se tornou popular apenas pelo uso feminino, e auxiliava na proteção contra a exposição ao sol. Nas fotos vemos algumas fotos de ganhadeiras, as escravas de ganho, que eram semi-livres porque podiam caminhar pelas ruas vendendo comida, frutas e prestando serviços. No período do Brasil colonial era inclusive possível identificar a etnia de algumas mulheres pela forma que elas amarravam esses panos nas cabeça. Jeje do Benim, Nagô de Angola, Banto do Congo, Malês que eram muçulmanos.

 

Acredito que a memória do uso dos turbantes nas suas terras originais as faziam amarrar da mesma forma o que se tornara então obrigatória. As ganhadeiras vendiam comida com as bandejas na cabeça, ou ainda em pontos fixos, o que era menos comum, mas posteriormente virou a tradição do que se tornariam as baianas de acarajé. Elas eram muito importante para a comunicação entre a casa grande, a senzala e os quilombos porque ouviam muito pelas ruas e faziam com que a informação favorecesse os levantes de libertação. Essas mulheres foram muito abusadas sexualmente, mentalmente, E com o dinheiro que faziam, mesmo entregando a maior parte para os senhores de engenho, elas conseguiam juntar para pagar pela própria liberdade e pela liberdade dos seus. E eu fico irritadíssima ao ver que a representação mais popular das baianas de acarajé é a Carmem Miranda, uma mulher branca e portuguesa. Vou escrever mais sobre isso em breve

Pics: Marc Ferrez/ Henschel/ Debret